(Sobre)viver na adversidade: o caso do moto-taxismo durante a pandemia do Covid-19 na cidade de Araraquara-SP (Brasil)

Luis Phellipe De Souza Thomaz Dantas

Resumen


O presente artigo busca refletir sobre o trabalho moto-taxista durante o período da pandemia de covid-19 na cidade de Araraquara-SP. A partir do recorte do moto-taxismo busca-se por meio da categoria de risco compreender o ofício discutindo a questão da necessidade, urgência e sentido na reprodução material e simbólica da vida dos trabalhadores. Para discutir as questões de risco, urgência e necessidade traremos os debates propostos em Anthony Giddens (1991), Mary Douglas (1992), e Ulrich Beck (2011). Para traçarmos uma outra abordagem de compreensão, e buscar os sentidos acionados por estes agentes enquanto formação do simbólico (da cultura) durante seu ofício traremos à discussão o caminho compreensivo da sociologia weberiana em paralelo a interpretação relativa da cultura em Clifford Geertz (2012). A metodologia que orienta este artigo é a perspectiva da pesquisa qualitativa derivada da antropologia social, pautada no trabalho de campo na pesquisa etnográfica realizada por meio de entrevistas em profundidade e com e sem roteiro prévio, realizada em três locais de observação. Este artigo busca compreender o trabalho moto-taxista durante o período da Covid-19 enquanto uma atividade de risco e sobrevivência ao mesmo tempo que produtora de sentido, vivências e subjetividades.

 

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Palabras clave


subjetividades; trabalho; risco

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Revista Latinoamericana de Antropología del Trabajo ISSN 2591-2755

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