José Sergio Leite Lopes e a formação da Antropologia do trabalho no Brasil

Wecisley Ribeiro do Espírito Santo

Resumen


O presente ensaio interpreta um fragmento da obra de José Sergio Leite Lopes, destacando seu papel central na constituição de uma Antropologia do trabalho, no Brasil. A análise se concentra sobre a contribuição inovadora deste antropólogo, cujas implicações são consideradas em duas escalas, articuladas entre si. Em um primeiro nível, ele adota métodos de pesquisa de campo etnográfica entre trabalhadores industriais. Adaptando ao contexto da fábrica os recursos sistematizados pela Antropologia, no estudo de povos não industriais, o pesquisador abre campo inédito de investigação empírica. Traz com isso um sopro renovador à pesquisa sobre relações de trabalho, especialmente submetendo as categorias acadêmicas ao escrutínio de dados empíricos registrados em primeira mão. Em um segundo nível, a formação da Antropologia do Trabalho se situa na escala mais abrangente das Ciências Sociais, e particularmente no caso de Leite Lopes, do Pensamento Social Brasileiro. Ao extrapolar a esfera da produção, investigando também o tempo da reprodução da força de trabalho, seus aspectos culturais e suas práticas de lazer, as pesquisas de Leite Lopes repercutem no campo dos estudos da brasilidade; especialmente no que se refere a um de seus elementos nucleares – a saber, o futebol. O argumento que o artigo propõe sugere que ao abrir espaço à pesquisa no chão da fábrica, este intelectual pioneiro concorreu a um só tempo para a constituição de uma linha de pesquisa etnográfica e para o tratamento empiricamente mais rigoroso daquilo que alguns dos pensadores da formação nacional denominam o “dilema brasileiro”.

 

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Palabras clave


antropologia; trabalho; formação

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Revista Latinoamericana de Antropología del Trabajo ISSN 2591-2755

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